terça-feira, 3 de maio de 2011

Os maios no concelho de Olhão





Vestígios cada vez mais ténues de uma tradição secular, que se encontrava em várias zonas da Península Ibérica.
Na madrugada do dia 1º de Maio eram colocados, sorrateiramente, junto às casas. Procuravam surpreender, assustar, satirizar. Foram proibidos.
Hoje, como muitas das tradições que se pretendem reavivar, perderam, na maior parte dos casos, o seu significado e a sua razão de ser.
O que os vai mantendo é o concurso promovido pelo Clube de Futebol de Bias.

Maria João Ramos

domingo, 9 de janeiro de 2011

Poesia





Etelvina Martins Aparício



Esta menina, jovem, mulher idosa é uma só.
O que é que mudou nela, ao longo do tempo? Apareceram as rugas, as maleitas, o peso das coisas boas e dos sofrimentos por que passou?
Coisa pouca, afinal.
Os olhos são os mesmos, o sorriso também e, acima de tudo, o espírito, a juventude que lhe dá animo para ir continuando a escrever as suas poesias.
Captou tudo o que a sua ânsia de aprender, a sua curiosidade, o seu gosto pela vida lhe proporcionaram.
Publicou um livro de poesia intitulado Meu Alentejo Minhas Memórias.
Esta menina nasceu em Lavre, há 84 anos.


Se soubesse

Se soubesse que chorando
enchia o rio que vai seco,
se soubesse que cantando
ao mundo dava alegria,
choraria dia e noite, cantaria noite e dia.
Que feliz me sentiria.

Não teria nascido em vão,
ao dar o meu coração.
Se pudesse separava
as águas turvas das limpas.
Se pudesse eu as limpava
e de novo eu as juntava.


Na praia me vou lembrando

Na praia,
deitada na areia
ouvindo as ondas do mar,
é como estar-te abraçando,
ouvindo o teu coração
pelo meu a suspirar.

Nas ondas do mar
eu quero
viver ao sabor do vento
a olhar o firmamento.


Lembranças

Lembranças e mais lembranças,
umas ficam, outras vão.
Há lembranças que magoam,
outras enchem o coração.

São muitas as que magoam,
quer nós queiramos ou não,
que ferem o coração.
Tão poucas lembranças boas!

As boas são as que lembram
com alegria e saudade,
não quisera esquecer
momentos de felicidade.

Vento que sopra

Vento que sopra,
leva o mal que me atormenta.
Leva a paixão que me mata
leva a dor do mal de amor,
leva tudo, por favor.

Leva as mágoas do passado
as que ainda hoje doem.
Leva tudo, por favor,
pois cansada, já não posso
sofrer mais do mal de amor.